Agora sim! Ísis no parque.

- Uau! - disseram ao mesmo tempo Ísis e aquele menino sem nome que encontrara a pouco.
Na entrada lia-se "Montanhas Mágicas" em letras coloridas. Exatamente o que ela precisava! Admirou aquele lindo portal, que mais parecia o limite para uma outra dimenção, e esteve ali por alguns instantes. Como que entrando em casa de desconhecido, Ísis retirou o pequeno chapéu branco de florzinhas azuis e olhou em volta buscando o menino de a pouco. Só o viu de longe, sumindo naqueles caminhos coloridos de açúcar que ligavam uma atração à outra.
Ísis mal podia se mexer de tão emocionada. Seu coração de menina batia tão rápido, que parecia ter se cansado de morar apertadinho e queria saltar para fora e... Ela pára de repente.
-Duas montanhas russas... - pensa em quase voz alta, de frente àquele monumento.
- Duas montanhas russas... - repete baixinho.
O interessante é que Ísis já vira montanhas russas maiores e mais sofisticadas, mas aquelas duas ali eram diferentes, causavam um quê de paixão, de proibido e até de... mágico!

A professora pediu para reescrever a última frase só para tirar o clichê do "mudou sua vida". Aí está:

Nesse ritmo, passou mais um dia de aula. Sabia que esperaria o ônibus, como sempre, naquela parada, como sempre, e que, no ônibus, estaria o mesmo motorista, como sempre. Íris, indo contra todo aquele “como sempre”, tomou uma decisão que parecia boba, mas que mudaria o rumo da nossa história:
- Hoje eu vou pra casa a pé.

Capítulo 1 versão 3

Não gostei da idéia do Demócrito aparecer depois, achei que mudou demais o que já estava escrito, que eu gostei tanto, além de ter perdido alguns elementos, como o contato com a Sofia e a amizade com Demócrito. Gostei da idéia dele ser meio sacana, mas acho não precisa mudar tanto, ele podia se transformar no meio do livro, tipo aquele filme do sexto sentido? Que você nunca imagina que o cara está morto, mas quando vai assistir de novo repara que todas as provas dele estar vivo são na verdade complementos que a nossa imaginação fez? Tipo a novela das 20h que todo mundo torce para a Flora e do nada descobre que a mulher é assassina?
Então, tirei os elementos que provam que Demócrito é um bom menino, deixei mais aberto para a gente descobrir que ele é falso mais para a frente.
Então, pensando em algumas das idéias e trechos da Dani, refiz o capítulo que apresentei na sala:


- Mas o seu aniversário é só mês que vem Zi! A mensagem marcava o dia?
- Sim! E era clara!
- Mas existem montanhas por todos os lados! Como saber?
- Ainda tenho um mês para decifrar os detalhes.
- Seu pai não vai deixar você ir. Até parece que não conhece o velho! Como vai fazer?
- Eu vou dar um jeito.
- Cuidado Zi, qualquer coisa dá um toque.
O sinal bate novamente, hora de voltar para a sala. Mais uma vez Ísis não percebe o tempo passar, só consegue pensar nas montanhas e, Demócrito estava certo. Como saber onde? Seu coração acelerava cada vez mais com a idéia de finalmente poder se encontrar com eles. Após tanto tempo de mensagens escondidas, agora era a hora da verdade. Estaria pronta?
- Ísis! - Chamou uma voz na porta da sala.
- Eu! - Disse a menina acordando do devaneio.
- Posso conversar com você na minha sala?
Era a coordenadora. O que será que ela queria dessa vez? Ísis vez por outra era chamada na sala de Sofia, uma senhora que conservava a beleza na idade e que era muito inteligente. Ísis não era má aluna, então imagina-se que não deveria temer, mas o olhar de Sofia parecia que entrava na alma dela e lia todos os seus sonhos, medos e desejos. Isso dava medo.
- Claro... - respondeu Ísis trêmula.
As duas caminharam para a sala de Sofia em silêncio. Ísis estala os dedos freneticamente enquanto, em vão, tenta fingir não estar nervosa.
- Aconteceu alguma coisa? - Perguntou Ísis tão logo pisaram na sala.
Sofia sorri e aponta para a cadeira, convidando Ísis a sentar-se. Ísis evita o contato visual, fingindo estar interessada na decoração da sala. Sofia a observa por alguns instantes, cruza os braços em cima da mesa, como se pretendesse assim encontrar os olhos da menina, e devolveu a pergunta:
- Me diga você. Aconteceu alguma coisa?
Ísis não levanta a cabeça. Apenas cruza os dedos e diz um singelo "não". Sofia se apóia nos cotovelos e chega mais perto da jovem:
- Ei... olha pra mim! Isso! Tenho ouvido alguns comentários dos professores de que você anda muito distraída. No que anda pensando?
- Em nada. - respondeu a menina sem pensar.
- Hum... um garoto talvez?
Ísis gelou. Será que ela sabia do Demócrito? Não era possível! Ela escondia aquilo com todas as suas forças. Será que mesmo assim ela percebeu? Abaixa a cabeça e aperta os olhos, como se assim pudesse fazer com que os olhos de Sofia esbarrem em suas pálpebras e não possam seguir a diante naquela quase hipinose.
- Não! - disse Ísis em tom de deboche. - nada de garotos por enquanto, tenho mais o que fazer!
Sofia acha engraçado, aconselha a menina como qualquer coordenadora faria no lugar dela e acrescenta:
- Se quiser conversar não exite em vir até aqui está bem? Eu vou adorar saber o nome dele... - disse em tom de provocação.
Ísis se despede e volta para sala. Já estava quase na hora do momento de apreciação musical. O diretor da escola acreditava que momentos de música eram fundamentais para o desenvolvimento dos alunos; e dona Sofia se encarregava de rechear as terças e quintas com música clássica, segundas e quartas com música brasileira e a sexta com o hino nacional.
A escola ficava encantada, todos dedicavam aqueles cinco minutos apenas para a música. As caixas de um som velho, porém potente, ficavam voltadas para o pátio da escola sempre após o intervalo e, assim, a música ressoava pelos cantos silenciosos ou cheio de barulhos incômodos. Tudo virava uma coisa só unida pela melodia que banhava as salas. Este era o momento clímax das manhãs de Ísis, momento no qual ela tirava as melhores conclusões de suas pistas achadas nos mais diversos lugares, era o momento de reflexão e de descoberta dos códigos.
Naquela segunda-feira os violinos trouxeram alguma coisa de maturidade, que colaborou para que Ísis acreditasse um pouco mais na sabedoria que ela traz.
Naquele dia Ísis gostou um pouco mais de Sofia. Por algum motivo passou a confiar nela um bocadinho a mais. Uma paz lhe invadiu a mente quando entendeu que não tinha enganado a coordenadora. Entendeu que, apesar do gelo de ter sua paixão secreta revelada, a distração não era culpa de garotos. E Sofia sabia disso, mas, mesmo assim, respeitou seu espaço e deixou uma porta aberta para uma futura amizade. Ter uma amiga adulta até que podia ser uma boa, ela precisaria de toda a ajuda necessária. Ainda mais se essa amiga fosse a coordenadora da escola! Bom, ainda tinha um mês para definir se ela era ou não digna de confiança. Afinal, se seus planos caíssem em mãos erradas poderiam causar grandes estragos...
O sinal tocou novamente indicando o final da aula e Ísis saiu apressada para não perder o ônibus, mas quando chega na porta tem uma idéia:
- Dedé, fala para o motorista que eu passei mal e que meu pai veio me buscar tá?
- Para onde você vai?
- Vou para casa a pé. Preciso pensar em algumas coisas e com o Gustavo em casa não dá.
- Mas e o seu pai?
- Hoje ele não vai em casa almoçar e minha mãe já deve ter saído para fazer compras. O que me dá em torno de uma hora. Daí é só chegar em casa e jogar a comida para o cachorro do vizinho. Ela nem vai desconfiar!
- Então tá. Toma cuidado viu? Qualquer coisa me liga!
- Pode deixar!
Ísis sai correndo pelo outro portão enquanto Demócrito carrega o recado a ser entregue ao motorista. Talvez por isso Ísis gostasse tanto de Demócrito, ele estava sempre acobertando suas idéias e travessuras. Por algum motivo nunca se envolvia, mas sempre a apoiava. Fora todas aquelas sardinhas no rosto dele, poderia existir algo mais fascinante que aquilo? Quantas figuras podia formar com todos aqueles pontinhos que se apertavam em suas rosadas bochechas!
Ísis ia assim caminhando de uniforme azul e mochila nas costas, ora pensando em Demócrito, ora na coordenadora, ora nas montanhas... e a verdade é que não conseguia se concentrar em nada. Deveria descobrir onde, exatamente, se encontraria com eles. Quanto mais rápido descobrisse melhor seria para planejar como chegaria lá. Gostava da idéia de pedir ajuda a Sofia. Será que ela entenderia? Mas mesmo assim, o que diria aos pais? Afinal era uma boa garota, não gostava de mentir, isso sempre dava errado... mas como fazer então?
- Ei moça! - chamou uma voz atrás dela.
- Oi? - respondeu virando-se.
- Você sabe onde fica a montanha russa?
- Onde fica o quê? - Os olhos de Ísis brilharam.
- A montanha russa!
Eureka! Como ela não tinha percebido isso antes? Estava tão óbvio! A estrela de cinco pontas estava de cabeça para baixo! Montanha + ponta cabeça = montanha russa! E ela vira naquela mesma manhã a propaganda do parque.
- Sei sim! Vem comigo!

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